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MAD

Madri

Espanha · 3 a 5 dias

Madri tem um dos maiores museus do planeta, praças que viram sala de estar e uma noite que só começa depois das onze. É uma capital solar, bem-humorada e barata para os padrões europeus, onde o programa principal é sair para comer e conversar.

Poucas cidades juntam num raio de um quilômetro o Prado, o Reina Sofía e o Thyssen, o chamado Triângulo da Arte, e depois te largam numa taberna de 1870 para comer cocido cozido em panela de barro. Madri não tem mar nem monumento-símbolo tipo Torre Eiffel, e é justamente por isso que ela se vive na rua: no vermute de domingo, nas tapas de La Latina, no pôr do sol do Templo de Debod. É a cidade europeia onde o brasileiro mais rápido se sente em casa.

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O essencial

Documentos para brasileiros

Passaporte válido por pelo menos 3 meses após a data de saída; sem visto para turismo até 90 dias no espaço Schengen. Seguro-viagem com cobertura mínima de 30 mil euros é exigido, e a imigração pode pedir comprovante de hospedagem, passagem de volta e meios financeiros. Desde abril de 2026 o sistema de entrada e saída (EES) está em pleno funcionamento: na primeira entrada no espaço Schengen você registra foto e digitais num totem ou no guichê da imigração, e o carimbo no passaporte deixa de existir, então reserve um tempo extra na fila da fronteira. A autorização eletrônica ETIAS (taxa prevista de 20 euros, válida por 3 anos) ainda NÃO está em vigor: a União Europeia retirou a previsão de lançar no fim de 2026 e promete anunciar a data com meses de antecedência. Confira em travel-europe.europa.eu/etias antes de viajar e desconfie de sites que já cobram pelo ETIAS.

Melhor época

Abril a junho e setembro a novembro, com dias agradáveis e cidade animada. Julho e agosto passam facilmente de 35 graus e parte dos restaurantes tradicionais fecha em agosto; o inverno é frio (perto de zero à noite), mas muito ensolarado.

Clima

Continental seco, a cerca de 650 metros de altitude: verões muito quentes e secos, invernos frios e secos, céu azul na maior parte do ano.

Moeda e pagamento

Euro (EUR). Cartão por aproximação é aceito em quase tudo, inclusive em bares de tapas e no metrô; cartões de conta global (Wise, Nomad, C6 etc.) costumam sair mais em conta que o cartão de crédito brasileiro. Tenha poucos euros em espécie para tabernas antigas e feiras como o Rastro.

Idioma

Espanhol (castelhano). Com portunhol caprichado você se vira bem; muitos atendentes de restaurantes do centro falam inglês.

Fuso horário

+5h em relação a Brasília no horário de verão europeu (fim de março a fim de outubro) e +4h no restante do ano.

Tomada

Tipo C/F (dois pinos redondos), 230 V. O plugue brasileiro de dois pinos finos costuma entrar; o de três pinos precisa de adaptador. Confira se o carregador é bivolt.

Gorjeta

Não é obrigatória nem vem na conta. Em restaurantes, deixar 5% a 10% ou arredondar é gentileza; em bares, deixar as moedas do troco basta.

Tempo ideal

3 a 5 dias (mais 1 para Toledo ou Segóvia)

SegurançaMadri é uma capital segura, inclusive para andar à noite nas áreas centrais. O problema real são os batedores de carteira em Sol, Gran Vía, no Rastro e no metrô (especialmente na linha 8 do aeroporto). Celular no bolso da frente e mochila na frente do corpo resolvem quase tudo.

Custo por pessoa por dia, sem passagem aérea
R$ 500econômicoR$ 1.200confortoR$ 3.000luxo

Chegando lá

Adolfo Suárez Madrid-Barajas (MAD); voos do Brasil chegam em geral ao Terminal 4 (T4)

Metrô (linha 8, rosa)cerca de 20 min até Nuevos Ministerios + baldeação · cerca de 5 euros (bilhete com suplemento do aeroporto), cerca de R$ 32

Funciona das 6h à 1h30. Bom para quem vai a Chamberí ou Salamanca; com mala grande, as baldeações cansam.

Ônibus Exprés Aeropuerto (linha 203)cerca de 30 a 40 min até Cibeles/Atocha · cerca de 5 euros, pago com cartão no motorista

Roda 24 horas (de madrugada vai só até Cibeles). Direto e com espaço para mala, ótimo para quem fica no centro ou perto de Atocha.

Trem Cercanías (C1/C10) a partir do T4cerca de 25 min até Atocha · cerca de 2,60 euros; gratuito para quem tem bilhete de trem Renfe de longa distância no mesmo dia

Sai do próprio T4. Ideal se você já vai emendar num trem para Toledo, Sevilha ou Barcelona.

Táxicerca de 25 a 40 min · tarifa fixa de cerca de 33 euros até qualquer ponto dentro da M-30 (o centro todo), cerca de R$ 210

Use a fila oficial de táxis brancos com faixa vermelha. Uber e Cabify funcionam e às vezes saem mais baratos fora do horário de pico.

Para circularO centro histórico se faz a pé. Para o resto, o metrô é excelente e cobre tudo; compre o cartão Multi (cerca de 2,50 euros, recarregável) e carregue 10 viagens, ou use o Abono Turístico de 1 a 7 dias (cerca de 8,40 euros o de 1 dia) se for usar muito. Também dá para pagar direto com cartão por aproximação na catraca em várias estações. Carro é desnecessário e o centro tem zona de baixa emissão.

Onde ficar

primeira vez

Sol / Ópera / Plaza Mayor

Tudo a pé: Palácio Real, Plaza Mayor, Gran Vía e metrô em todas as direções. É movimentado e turístico, mas imbatível para quem tem poucos dias.

cultura e noite com charme

Barrio de las Letras (Huertas)

Entre Sol e o Prado, com ruas de pedestres, frases de escritores no chão e tabernas centenárias. Perfeito para ir a pé aos museus de manhã e às tapas de noite.

conforto e compras

Salamanca

Bairro elegante, de avenidas largas, lojas de grife na Calle Serrano, mercados gourmet e restaurantes premiados. Mais silencioso e seguro, a 10 minutos de metrô do centro.

jovem, noite e vida alternativa

Malasaña / Chueca

Brechós, cafés, bares de vermute e baladas; Chueca é o coração LGBTQIA+ da cidade. Barulhento no fim de semana, então peça quarto de fundos.

tapas e clima de bairro

La Latina

Ruelas medievais, a Cava Baja cheia de tabernas e o Rastro no domingo. Muito autêntico e perto de tudo.

O que ver, com a história contada

01

Museo del Pradomuseu

Paseo del Prado · leva 3h · em geral 10h-20h de segunda a sábado; 10h-19h domingos e feriados · cerca de 15 euros (cerca de R$ 95); gratuito nas duas últimas horas

O prédio neoclássico de Juan de Villanueva foi pensado no século 18 como gabinete de ciências naturais e só em 1819 abriu como museu, com as coleções reunidas pelos reis espanhóis ao longo de três séculos. Como os Habsburgo e os Bourbon compravam e encomendavam arte com obsessão, o Prado é imbatível em Velázquez, Goya e El Greco, e tem ainda Ticiano, Rubens e Bosch de primeira. As Meninas, de Velázquez, é talvez o quadro mais estudado da história: o pintor se retrata trabalhando numa tela enorme, e o espelho ao fundo reflete o rei Filipe IV e a rainha Mariana, que estariam exatamente onde você está. Goya ocupa várias salas, da fase de pintor da corte, com retratos quase cruéis da família de Carlos IV, até as Pinturas Negras que ele pintou nas paredes da própria casa já velho e surdo. O Jardim das Delícias, de Bosch, parece surrealismo feito 400 anos antes do tempo. O museu tem mais de 8 mil pinturas, mas só uma parte fica exposta; escolher é parte da visita.

Repare
  • Em As Meninas, o homem parado na porta iluminada ao fundo e a cruz vermelha no peito de Velázquez, pintada depois da morte dele, segundo a tradição por ordem do rei.
  • No Três de Maio de 1808, de Goya, o homem de camisa branca com braços abertos e a marca na palma da mão, como um estigma de Cristo.
  • O Saturno Devorando um Filho, entre as Pinturas Negras, no térreo: foi arrancado da parede da casa de Goya e passado para tela.
  • No painel do inferno do Jardim das Delícias, o homem crucificado numa harpa e a partitura musical tatuada nas nádegas de um condenado.

DicaCompre online para evitar fila e entre pela Puerta de los Jerónimos. Priorize Velázquez (sala 12), Goya e Bosch; 3 horas bastam para o essencial. Nas duas últimas horas (em geral 18h-20h de segunda a sábado e 17h-19h aos domingos) a entrada é gratuita, com fila longa.

SegredoO museu fica aberto todos os dias do ano, exceto 1º de janeiro, 1º de maio e 25 de dezembro; uma segunda-feira chuvosa de manhã costuma ser o momento mais vazio.

Ver no mapa

02

Museo Reina Sofía e Guernicamuseu

Atocha · leva 2h · em geral 10h-21h; domingos até 14h30; fecha terça · cerca de 12 euros; entrada gratuita em alguns horários (em geral segunda e de quarta a sábado no fim da tarde, domingo à tarde)

O museu nacional de arte moderna ocupa o antigo Hospital Geral de San Carlos, do século 18, ao qual foram acrescentados os elevadores panorâmicos de vidro e, em 2005, a ampliação vermelha de Jean Nouvel. A estrela é Guernica, que Picasso pintou em poucas semanas de 1937 depois que a aviação nazista, aliada de Franco, bombardeou a cidade basca num dia de feira. O quadro rodou o mundo como símbolo antifascista e ficou décadas no MoMA de Nova York, porque Picasso exigiu que só voltasse à Espanha quando houvesse democracia; chegou em 1981 e foi transferido para cá em 1992. A tela é gigante, cerca de 3,5 por 7,8 metros, e toda em preto, branco e cinza, como uma foto de jornal. Nas salas vizinhas há os esboços e as fotos de Dora Maar mostrando o quadro sendo pintado. O museu tem ainda Dalí, Miró, Juan Gris e muita arte espanhola do século 20.

Repare
  • A lâmpada em forma de olho no alto de Guernica, que muitos leem como jogo de palavras entre bombilla e bomba.
  • A espada partida na mão do soldado morto, com uma pequena flor brotando ao lado: o único sinal de esperança da tela.
  • O Grande Masturbador, de Dalí, e as obras do jovem Dalí pintadas quando ele ainda dividia quarto com Lorca na Residencia de Estudiantes.
  • A vista do pátio interno com jardim e dos elevadores de vidro na fachada do antigo hospital.

DicaFecha às terças. Foto da Guernica costuma ser proibida na sala. Vá direto ao segundo andar (sala 205/206) e depois explore o resto com calma.

SegredoO terraço-café do edifício Nouvel, sob a cobertura vermelha, é tranquilo e pouco conhecido pelos turistas.

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Onde comer

Amostra grátis: 1 de 12 lugares conferidos.

Sobrino de Botín

$$$

tradicional castelhano · La Latina (Calle Cuchilleros, junto à Plaza Mayor)

Fundado em 1725, é o restaurante mais antigo do mundo em funcionamento segundo o Guinness. O forno a lenha nunca se apagou, Hemingway o cita em O Sol Também se Levanta e reza a lenda que Goya lavou pratos ali antes de ficar famoso.

PeçaCochinillo asado (leitão assado no forno a lenha de 1725) ou cordeiro assado

Reserve online, em geral para 13h ou 23h15. Peça mesa na adega de tijolos no porão, a parte mais antiga.

Segredos de local

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Consomé em pé no Lhardy

Térreo do Lhardy, Carrera de San Jerónimo · Tardes frias de outono e inverno.

Os madrilenhos entram na loja do térreo, se servem sozinhos de consomé numa samovar de prata e pagam na saída. É o jeito mais barato de conhecer um restaurante de 1839.

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